Peixe elétrico

ARNILSON, MONTENEGRO OU JUNIOR?
Já faz algum tempo que me dedico à gravura. E toda terça-feira ou sábado, lá vou eu pra vila Mariana. Mais precisamente para o atelier do meu grande amigo, Luiz Carlos Officina, com quem aprendo esta arte tão maravilhosa e bonita. Alias, como todas as artes.
E foi justamente numa dessas aulas que conheci seu sobrinho. Que veio diretamente de Taperoá, Paraíba (cidade do famoso escritor brasileiro, teatrólogo e poeta, Ariano Suassuna), para Sampa. Também aprender esta técnica com seu tio.
Que sorte tem esse menino, pensei logo que o vi. E não é que o cabra é bom mesmo. Aprendeu “tudo” com grande facilidade e dedicação como nos velhos tempos onde o aprendiz, para se tornar um artista, tinha que levantar antes do sol e só ia dormir quando, já morto de cansaço, Morfeu chegava e o levava para o mundo dos sonhos.
Como é seu nome, perguntei. Júnior, me respondeu. Júnior não é nome. Deve haver alguma coisa antes do “Junior”, brinquei. Ele, então, me disse: meu nome é Arnilson, porém, prefiro que me chame de Montenegro.
Conversamos muito sobre vários assuntos e só parávamos quando o tiozão chegava e nos interrompia, nos chamando a atenção para o aprendizado. Tudo numa boa, claro, afinal estávamos aprendendo arte. Não estávamos numa fábrica e tão pouco numa linha de produção. E foi num desses papos que o Arnilson, digo, Montenegro me mostrou essa gravura logo acima sobre aqueles vendedores daquelas pomadas “milagrosas” que existem ainda em alguns lugares do nosso querido Brasil. Sem perguntar nada, me pediu pra que eu fizesse um poema para sua xilo.
Meu rapaz, disse eu, não sei fazer literatura de cordel, portanto... Não precisa levar muito a sério, meu velho, é só pra gente brincar, tá certo? Tá certo, eu disse, vamos ver o que sai.
Meu amigo voltou pra terrinha, mas sei que de algum modo nos encontraremos outra vez, afinal ele deixou um pouco de si em todos nós e muita, mas muita saudades, mesmo.
Rubens Cavalcanti da Silva.